![]() |
Podcasts | Community | Create a Podcast |
|
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Trem de doidoTutu com torresmo, bobó, pururuca e sarapatel, mugunzá com canjiquinha, pé de moleque e cartola no final, cardápio variado para todos os gostos. |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
ALBATROZ - O encontro das tribos
March 14, 2008 12:04 PM PDT
Joel Macedo fez parte das fileiras da primeira edição do jornal (hoje revista) Rolling Stone no Brasil. Fez a imersão total na cultura hippie, na contracultura e percorreu a América por terra duas vezes presenciando as transformações dos anos 60. Um livro dele, "Tatuagem - Histórias de uma geração na estrada" sempre foi um de meus favoritos e até publiquei um dos contos aqui no Jam Sessions e Joel me diz que isto o incentivou a voltar a escrever. Ele está lançando "Albatroz - O encontro das tribos na Califórnia dos anos 60'', um romance que começa no malfadado Festival de Altamont em 1969, onde os Rolling Stones cometeram o erro de contratar os Hell Angles para a segurança e faz uma remissão ao Verão do amor em 1967, às experiências com LSD de Timothy Leary e Ken Kesey, tudo ao longo da história de dois caras, um brasileiro e um americano, unidos pelo acaso. A edição foi bancada pelo próprio Joel (foto) e os livros estão à venda nas livrarias Argumento, Galileu, Travessa e Saraiva. Ele faz um pré-lançamento neste sábado das 16h às 21h no Nectar, em Vargem Grande, onde sempre rola som de bandas cover dos anos 60 e 70 e de reggae. Lá tem uma loja de vinis mantida pelo dono Sergio Carvalho. Fica na Estrada dos Bandeirantes 22.774, em Vargem Grande com informações pelos fones 2428-1387 e 9168-7109. Abaixo uma entrevista minha com Joel. O Globo Online - Você retrata o período hippie dos anos 60 no seu road book. O que representou aquele período na sua opinião? Foi tudo uma utopia ou aquela geração trouxe mudanças para o estilo de vida que existem até hoje? Joel Macedo - Tudo passa pelo valor de uma utopia, sim. Uma geração precisa de uma utopia para caminhar, pra dar sentido à vida dos que fazem parte dela. Sem utopia nenhuma geração brilha na História. A geração dos 60 e 70 teve a utopia política e a utopia hippie, entendendo-se por isso o rock, as estradas e toda a contracultura. Uma geração sem uma utopia pra caminhar é isso que a gente está vendo hoje por aí: essa coisa morna, perdida, sem brilho, confusa! Em termos coletivos, a utopia hippie se desfez sim. Claro que deixou muitos rastros que são visíveis hoje. Alguns bacanas, e eu discuto isso em "Albatroz", mas outros que não deram bons frutos, como a revolução sexual, por exemplo, que tinha um sentido político nos anos 60, mas degringolou nessa zona que tá aí. A visão das drogas na época era totalmente diferente da atual, tomava-se para expandir a mente e buscar conhecimento, hoje quem toma diz que é só pra zoar. Antes buscava-se o aperfeiçoamento e hoje prevalece o hedonismo. Como você vê esta questão? - Na comuna Joel Macedo no orkut rolou uma discussão legal sobre isso e concluímos que essa diferença pode ser percebida nos festivais de rock do passado e nas raves atuais. Nos primeiros havia celebração tribal de paz e amor, aquela coisa solidária, cósmica. Nas raves, apesar da boa intenção inicial, parece que tudo ficou mais individualista. Quando o crime organizado passou a controlar as drogas alucinógenas por volta de 1968 nos EUA, o movimento hippie começou a entrar em crise. E esse é um dos temas centrais de "Albatroz". Não tem como conciliar beleza com narcotráfico. Existe um componente autobiográfico no relato. Você por acaso é o Carlos e por acaso esteve em Altamont? - "Albatroz" é um livro de ficção e eu sou um contador de histórias. Por sinal, um dos pouquíssimos ficcionistas da geração hippie. A geração beat foi abundante em escritores, mas os hippies sempre se expressaram mais pela música. É claro que eu falo do que vivi. Afinal, viajei muito, atravessei a América duas vezes por terra, conheci muita gente, ouvi muita coisa. Se eu te disser que estive em Altamont vou estar me entregando. Por acaso, eu estava na Califórnia em dezembro de 1969, mas não estive em Altamont. Só meus personagens estiveram. A contracultura pretendia ser um vírus no sistema, você acha que ela conseguiu se instalar ou foi inteiramente removida? - Ela pretendia e conseguiu ser uma intervenção importante naquele sistema rígido que produziu guerras e ditaduras. Mas, com certeza, só conseguiu se reproduzir nas cabeças de quem participou dela. Em termos históricos, foi aniqüilada há muito tempo. O vírus do capitalismo foi mais forte. Essa geração celular de hoje não tem vestígio algum de nada, não sabe nada, nunca ouviu nada que preste. Esse "revival" que vemos por aí, de biografias de superstars pra todo lado, é puro capitalismo temático. Nada tem a ver com contracultura. Quais as músicas mais emblemáticas do período, quais as favoritas suas na época? - Do período coberto por "Albatroz", elas estão lá mesmo no livro. É um livro com trilha sonora. Tem rádio FM ligada o tempo todo, tem Monterey Pop e Altamont visitados "ao vivo", é um livro-rock com certeza. Não dá pra enumerar as bandas e cantores que rolam em "Albatroz", só posso dizer que prevalece a turma da Califórnia. O Jefferson Airplane, o Grateful Dead, a Janis Joplin, O Country Joe McDonald... É um livro histórico sobre o movimento hippie na Califórnia. Nesse sentido, considero o meu livro cultura. Quem lê, aprende de uma vez por todas o que foi o movimento hippie nos EUA. O que você acha das experiências de Ken Kesey e Timothy Leary com o LSD. Você acha que o ácido lisérgico é uma ferramenta eficaz para o aperfeiçoamento espiritual e intelectual? - Isso está tudo no livro também. Não dá pra contar a história do movimento hippie sem falar do LSD, de Ken Kesey e de Leary. Acho que o LSD teve sua importância histórica mas está totalmente superado. .
- Como todo mundo ali, eu me agreguei por acaso. Fiz a entrevista de capa do número um com o Big Boy e voltei pra estrada. Minha contribuição foi fazer a ponte com o que estava rolando lá fora. Na maior parte do projeto eu fui um correspondente de estrada. Tinha até uma coluna com esse nome. E o bacana é que eles não precisavam de agência, tinha um repórter exclusivo lá fora mandando as matérias. Tudo na antiga Rolling Stone foi mágico. Princípio, meio e fim. Todo mundo que passou por ali acabou dando em alguma coisa, plantamos as sementes do rock brasileiro e até hoje nos falamos e nos respeitamos como uma família, mesmo passando anos sem se ver. Para a lenda não cair no esquecimento está sendo produzido o documentário "Rolou" pelo cineasta e dono do Néctar, Sérgio de Carvalho. Seu primeiro livro, "Tatuagem", tratava de que assuntos? Podia falar dos demais livros e se ainda podem ser encontrados. - Por incrível que pareça, em termos de produção e divulgação "Tatuagem" foi o menos underground de todos. Parece piada. Mas os outros foram o under do under. Quase mimeógrafo, vendidos de mão em mão. "Tatuagem" foi escrito entre 1968 e 1971, no calor dos acontecimentos, no meio de um vulcão em erupção. Fala da cena hippie em Londres, Nova York, Marrocos, Índia e Afeganistão. Tem uma virulência que impressiona. Eu recebia cartas do presídio da Ilha Grande pedindo que mandasse livros pra lá, pois o único que tinha já estava se rasgando porque era disputado a tapa. De certa forma, eu devo a você, Jamari, e a um conto do "Tatuagem", o ''Hot Summer'' (ou ''Verão Ardente''), ter me animado pra escrever o "Albatroz". Eu andava meio paradão, cuidando dos quatro filhos, da vida espiritual, quando você publicou o ''Hot Summer'' aqui no blog, bem no começo do Jam Sessions. O conto ficou umas três semanas em cartaz e foi me dando vontade de voltar a escrever. Reuni o que eu tinha anotado há décadas e saiu o "Albatroz". Entrevista dada ao Jamari França, para O Globo http://oglobo.globo.com/blogs/jamari/#93405 - O encontro das tribos da Califórnia Foto: Joel Macedo, década de 70, foto da Rolling Stone. |
Podcast SummaryUm espelho refletindo e espalhando músicas e fatos.
About HAGENDA * Fans of this Show
Favorite LinksH's Friends
Contact MeSubscribe to this Podcast
![]() | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||